quinta-feira, outubro 27, 2005

Ser anjo apaixonado cansa


"Foram tantas coisas, tantas que pô-las por escrito torna-se utópico no meu pensamento . tudo o que eu sentia, tudo o que me envolvia quando recordava momentos que passei estava impregnado em mim, aglutinado aos meus vasos, às minhas células, aos meus pedaços de ser. Desenrolava um pedaço de linha, enquanto olhava para o dia pela janela, enquanto punha os joelhos no ar, e vibrava com o sol a bater-me nas pernas e ouvia música alta, memórias de viagens de carro, memórias de jantares de grupo, sinto-me um ser de memórias. O perfume inigualável da manhã, acompanhado do mau humor, silencioso, brusco, gritante, da passagem do mundo dos sonhos, para mais um dia real. Mais um dia de papo para o ar, mais dum dia de ouvir risos de crianças quando paro perto do jardim às 10 e pouco no intervalo e vejo que são tão felizes, brincam, são inocentes, e mais logo estão em casa em segurança. Com peluches giríssimos e pais mimosos que lhes contam histórias bonitas para dormir. E eu também sou assim. Sou pequenina. E isso ninguém me pode tirar. Porque este novelo nunca chega ao limite porque a lã não é pura, púrpura. Afogo-me em bebida suaves e penso que consigo libertar-me completamente. Penso que através de ajudas inocentes os outros vão perceber aquilo que realmente se passa no meu interior, aquilo que me define como ser humano, aquilo que faz de mim eu próprio, sim, sou eu. eu. estas páginas vão concerteza ser queimadas numa fogueira linda aos olhos dos vizinhos e o fumo levará as palavras para sítios por descobrir, outros mundos, outras gentes, outras verdades. Tenho o mundo e não o tenho. Tenho o dom de estar a falar mas não o tenho, este empréstimo que o Sr de barbas nos fez ao nascer, é curioso e inteligente. Obrigada, anotas no teu grande livro que neste momento sou eu que estou a usar este corpo, esta casa, este computador, estas roupas, estes utensílios, deves ter nuvens cheias de anotações, de livros amarelos, de penas com tinta. Tinta? Será que escreves com tinta? Será que não estás sentada em paz, a ver o tempo passar, que melhor há para fazer do que estar sentado em paz a ter um momento tranquilo e a perceber realmente que naquele momento nada nem ninguém nos pode afecta, que se vier um pássaro pousar perto de nós, até sorrimos, e que achamos a natureza bela, e deixamos de ligar qualquer importância àquilo que for. Merda como isto faz sentido. Ajudar-me-ias a ser cada vez mais capaz de perceber estas coisas?
Choro porque sei que não posso ser completamente feliz. Sei que estou a um passo e que esse passo não me compete a mim dá-lo. Sei que é assim e pronto. Assumo que não quero acreditar noutra verdade, irrisória, irreal, supérflua, não quero acreditar em mais nada e cada um tem a liberdade de o fazer. Liberdades enclausurada como freiras nos conventos, como frágeis percepções de pessoas pobres de espírito de que têm tudo, de que o dinheiro é real. Encorajo-me a mim a continuar. E não sei sair daqui. Não há mundo passível de me oferecer jarros de água com limonada misturada, não há congéneres que me tragam notícias desejadas, não há fraldas por trocar, não há iogurtes fora de prazo no frigorífico, nem flores por regar. Mas esta lentidão nos meus pensamentos sufoca. Cheira a torradas queimadas quando se sai do elevador e o cheiro se escapuliu da casa do vizinho, que por outro lado tem um perfume barato. E o gato que mia sem sentido. Surpreendo-me com tudo isto. E para além disso não sou capaz de fazer mais nada que alhear-me da realidade e entrar no meu próprio mundo, tão côr de rosa, tão laranja, tão cheio de tudo aquilo que me faz z sonhar. Como olhar pela janela e ver o céu azul e as nuvens, só isso. Porque é que o céu é assim e não de outra forma, porque é que me interessam todas estas coisas? Devia deixar-me estar quietinha, calar-me estar permanentemente em silêncio, e meditar. E rezar. E continuar a abstrair-me de certas coisas.
Aquelas q coisas que nos enchem o peito e parecemos que o trazemos cheio de ralha, como numa loja de antiguidades, onde cada objecto tem um espaço, mesmo que a sua utilidade não seja simples de encontrar, e o que fazer com todo este sentimento que trago no peito? Pensei doá-lo a quem quiser neste natal, quando as luzes encherem a cidade de uma vida outra de paz. E decido a cada dia, que o certo jamais pode ficar certo sem dúvida, sem questão sem a distância entre dois seres que dormem separados por um pedaço de ar, de azoto, de dióxido de carbono e partilham uma vida de tumultos, mas quando dormem as suas almas estão longe, num mundo que não sabem identificar, nem localizar mas tudo é diferente, é uma passagem para a outra margem. È um existencialismo indefinido.
Azul, azul, azul.
Podia contar inúmeras histórias mas isso não tinha piada nenhuma. A piada está em mim.
Decidi acabar esta história de uma forma inapropriada.
Não gosto de finais felizes nem certos. Não há finais felizes, nem perfeitos. Apenas há finais e ponto. De qualquer forma senti que os sentimentos foram expressos. Os beijos dados. Os recados transmitidos. E o resto? Que resto? "

Escrevi este texto no livro relativamente a uma personagem que por lá passa... e hoje sinto que escrevi sobre tantas coisas que se adaptam às fases da minha vida, como esta que estou a passar agora...obrigado a todos os anjos que se cansam comigo!

quarta-feira, outubro 26, 2005

dreams



i remember you
you are the one that made my dreams
come true few kisses ago
i remember you
you are the one that said i love you too
i remember too
a distant bell
and stars that fell
like rain out of the blue...

björk

terça-feira, outubro 25, 2005



"os amigos são anjos que nos levantam os pés quando as nossas asas não se conseguem lembrar de como se voa"

isto e muito mais...
muito mais...
muito
muito
muito
muito
mais!
sorriso : )

segunda-feira, outubro 24, 2005

formas de amar





só porque alguém não te ama como tu desejas não significa que não te ame com todo o seu ser.

domingo, outubro 23, 2005

Domingos

Passei hoje uma parte do meu domingo a fazer algo que há meses não fazia. Ir ao ccb. Estive lá imenso tempo, estava um sol quente, e tinha levado um livro em italiano que comprei há 3 anos. curioso...agora recomeçei a lê-lo e encontro um tema tão familiar. (este livro foi escolhido ao acaso e porque o autor se chama andrea.)fala de uma família que vive numa pequena comunidade dedicada à paz, com um chefe espiritual, como na academia de yoga onde às vezes vou aprender um pouco como se pode viver melhor. algumas das conversas entre as personagens recordam-me o que já tantas vezes pensei. Viver no meio da natureza, com a mente tranquila, numa comunidade em que todos colaboram, com um templo. e... por incrível que pareça uma das personagens era pintor! ao mesmo tempo que relembro palavras e procuro outras no dicionário, estou a tentar perceber se de facto há ou não coincidências...
e, de resto, só posso terminar dizendo... "non so ancora cosa diventerà".

sábado, outubro 22, 2005

anjo

Anjo que tardas minha lotaria
Dá-me as tuas asas que eu dou-te alegria
anjo sem casa, nem sabedoria
balda-te ao céu faz-me companhia
anjo fugidio de cabeça esguia
pousa no meu colo e diz-me bom dia
anjo enganado cor da minha vida
volta para o meu lado ou dá-me uma saída
anjo do escuro, pássaro sem medo
leva as minhas penas
dá-me o teu segredo.

Inês Pedrosa

sexta-feira, outubro 21, 2005

smile











Por vezes há dias em que todas as pessoas nos sorriem... e nós andamos com um sorriso também permanente! Esta imagem faz-me sempre sorrir... e sei que os sorrisos podem ajudar muito o mundo : )
Vamos dar as mãos e sorrir juntos?
Para todos aqueles que são motivo do meu sorriso...um sorriso!

quinta-feira, outubro 20, 2005

coisas da vida













Estava para aqui a pensar na vida
Vida essa que me da mesmo muito que pensar...
Ando sozinha por entre vales e bosques onde não nascem cerejas
Amoras ou morangos
Onda a agua não consegue acabar o seu trabalho
Onde tudo é indefinido para sempre onde não
Há regras
Regras para quê?
Para dizer ao mundo coisas que ele não quer ouvir??
Coisas que o façam parar o seu trabalho e tentar
Compreender as cabeças dos homens...
Cabeças que as vezes nem eles compreendem...
A vida flui sem fim e eu tento alcança-la..
Estar lado a lado com algo que jamais se deixa tocar
Embora por vezes estejamos bastante perto nunca conseguimos ser aquilo que desejamos ou aquilo que esperamos ser...
E a cada instante
A cada momento infinito que é dado por cada segundo..
Fujo do real e tento alhear-me naquilo que só eu posso ser...que verdadeiramente nem eu sei bem o que é...
Perco pessoas por entre os dedos por não saber lidar com elas
Perco o mundo por não saber lidar com ele
Para além do mais
Flores e jarros e cores e tintas
Para além disto
Vozes e ecos soam em mim,
E que mais posso ser que não um arbusto sossegado
Com folhas a caírem e outras a nascerem
Com insectos a escalarem com gotas de agua a jorrarem, com a vida que realmente é incansável a fluir.
Ajude-me quem puder a compreender o significado do mundo
Porque para mim ele não tem significado nenhum
É um monte de ideias que não tem sentido
Nem lógica
Porque acho que somos actores de um teatro invisível
De um palco muito bem planeado em que todos
Temos um papel para representar
Melhor ou pior como em tudo
Vamo-nos safando e julgando felizes
Imbecis
Não vemos nada
É como se um pano nos tapasse os olhos é com o ver na penumbra
E que mais podia ser
Os desígnios de deus
Ninguém os sabe
A vida ninguém a agarra
E já agora além do amor o que é que estamos cá a fazer?
Gostava de obter uma resposta para aquilo que acho que muitas vezes não tem resposta
Ou respostas particulares
Que não interessam a ninguém
Ou à maioria que anda para aí
A bater com a cabeça nas paredes porque a vida não lhes dá aquilo que queriam
O dinheiro
Os carros
As casas
As mulheres
Lugares estranhos por entre ando e as pessoas
Caminham sem se aperceberem de mim
Quem sou eu
Não sei dizer
Mas ando por aí
Solta, como os gelados de baunilha se espelham pelo chocolate quente
Como as vozes se espalham num auditório
Que se não tiver ninguém faz uma acústica diferente
Estou a escrever sem nexo
E o nexo por vezes vem sozinho
Quero convidá-lo a entrar
Mas não tenho chá e bolinhos para lhe oferecer
Apenas uma mente complicada cheia de ideias
Será que ele as quer ouvir?
Se sim vem ter comigo que aqui estarei sentada
Enquanto o dia não termina para começar a noite
Enquanto os homens são mulheres e as mulheres crianças
E enquanto escuto esta musica que me faz o corpo vibrar
Sem fim.

Este foi aquela parte do livro que li em Porto Côvo!
Esse fim de semana foi lindo! Lembro-me tantas vezes...e adorei pôr-vos a expressarem-se nas artes! Temos de repetir!

segunda-feira, outubro 17, 2005

experiência?


Num processo de selecção de uma empresa, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: "Você tem experiência?"O texto abaixo foi desenvolvido por um dos candidatos. Ele foi aprovado e o texto circula pela net, e ele, com certeza, será sempre lembrado pela criatividade, e acima de tudo por sua alma.
RESPOSTA VENCEDORA:"Já fiz cócegas na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com uma vela. Eu já fiz bola de pastilha e sujei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.Já rapei o fundo da panela de arroz doce, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no autocarro.Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei o meu lugar.Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor,mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência... Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"

Obrigada Sónia pelo texto tão bem escolhido! Sabes queria sublinhar tudo a negrito...mas deixo apenas algumas coisas que achei importantes...e engraçadas!
E outro obrigada pelas palavras amigas...pelos conselhos! É bom ver que a amizade cresce a cada dia!
A mim também já me perguntaram se tenho experiência! Mas visto nesta perspectiva tem outro significado!Mas eu também respondi que não tinha....

domingo, outubro 16, 2005

provérbios

Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado.
Provérbio árabe
O coração que está em paz vê uma festa em todas as aldeias.
Provérbio hindu
Se todos os dias transportares um cesto de pedras para o mesmo sítio estarás a construir uma montanha.
Provérbio chinês
A galinha da vizinha não morde : )
Provérbio português


Alguém quer deixar mais sugestões??? é que não me lembro de mais provérbios portugueses e há tantos!!!!

sexta-feira, outubro 14, 2005

casais de oitenta

Hoje, mais uma vez vivi uma experiência engraçada. Mais um casal velhíssimo por fora, mas cheio de amor, cheio de cumplicidade, cheio de atenção pelo outro. Faz-me pensar quando o que se lê nos jornais é que a percentagem de divórcios está a aumentar, a de casamentos a diminuir, que cada vez mais as pessoas têm menos filhos...e que até já há casais que vivem em casas separadas...enfim! Um tanto ou quanto confuso para a nossa ideia de família. Aquele conceito tão bonito, que embora não seja perfeito (há alguma coisa perfeita?),faz ,para mim, todo o sentido. Então este casal faz a diferença. Faz continuar a ter esperança. Esperança em dizer aos oitenta, que a vida passou depressa demais, "ainda há tantas coisas que temos de viver juntos" : ) . Fica este pedaço do meu dia, que me encheu o coração hoje e vai continuar a encher sempre...

quinta-feira, outubro 13, 2005

acumular-se como um trovão no limite

depois a queda enorme

enquanto a criação se esconde

isto - seria a poesia

ou o amor - os dois são coevos

experimentamo-los sem os provar

vivemo-los e consomem-nos

ninguém vê deus e sobrevive.

Emily Dickinson

quarta-feira, outubro 12, 2005

dia de anos




Hoje é o dia de anos da minha mãe! (esta é a capa do postal que lhe ofereci...)
Claro que não podia deixar de escrever sobre isso!
Todos nós temos as nossas mães, todos dizemos que elas são únicas, mais queridas...mas numa coisa são todas diferentes, nas relações que mantém com os filhos. E quem nos conhece sabe como é a nossa! Agradeço-te mãe por seres quem és (e como és) para mim! E que eu também aprenda com as experiências que foste vivendo ao longo destes anos de vida : )
Que o teu dia seja muito feliz cheio de sorrisos e recordações.E sobretudo cheio de amor...continua a acreditar nos teus sonhos!
eu acredito! "Quem ama acredita!"
um beijo muito especial para ti mãe e que te sintas hoje cheia de paz e alegria!
...Para a menina São...uma salva de palmas!

terça-feira, outubro 11, 2005





"Existem pintores que conseguem transformar o sol numa mancha amarela, no entanto, existem outros que devido à sua inteligência têm a capacidade de transformar uma mancha amarela no sol"
Pablo Picasso

...outros tentam transformar gatos num conjunto de rabiscos a pastel...
Nunca percebi porque gosto de desenhar gatos se tenho é um cão!!!!
Qualquer semelhança com um anúncio de martini é pura coincidência!

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ser anjo cansa















O primeiro quadro...o primeiro livro....são tantas as coisas que gostamos de fazer! Umas deixamos com o tempo, outras vão ficando entranhadas na pele...Pergunto-me hoje que mais coisas novas estão para vir?
Os primeiros começos foram assim....

Como é que se compensa um amor que não existiu?


Esta frase tem um sentido único, aquela pessoa para quem a nossa vida está destinada mas que nunca sabemos onde vamos encontrar, tantas coisas eu teria feito para a encontrar, mas nunca fui capaz de me dar inteiramente a ninguém, nem de sair de uma bola de vidro, oxigenada permanentemente, agora é só uma frase num contexto. E se possível fica só para mim.
E o que dai advier será como fazer amor pela primeira vez, e não saber o que é o amor, nem o que é fazer seja o que for. Nem o que é tirar algum prazer disso. Chorei em vão, ouvi músicas em vão. Conduzi sem destino, invariavelmente para o mesmo local, onde pude apanhar sol, sentar-me e estar, estar a observar os outros sem os criticar, sem fazer parte da vida deles nem eles da minha, sem ter a capacidade de questionar seja o que for. E crianças. Crianças que correm e rolam na relva.
O ferro da cadeira toca-me a pele e arrepia-me. É dura, desconfortável, mas nem isso me importa, foi aqui que me acolheram mais ao resto que trago dentro da bagagem dez malas de rodinhas atadas por um cordel, como um comboio, invisíveis par alguns, obstáculos para outros iguais a mim, que carregam consigo o peso de não estar apaixonado. E o que é isso? mais do que estar sentado à espera de um sussurro ao ouvido, do que um abraço, quando à noite nos vamos deitar e os lençóis estão frios e a cama parece demasiado grande para um, do que tomar banho e ter alguém que nos traga a toalha que nos esquecemos em cima da cama, ou que ponha pilhas num esquentador demasiado inteligente.
Enganei um bocadinho todos os alvos da minha atenção, mas não sinto remorsos antes pelo contrario gostava de aprender a lidar, a ser incrédulo e frio, o menos romântico possível, se possível. A vida não é justa, nem nunca foi, qual é a minha? A distância que me separa de tudo isto é tão pouca quanto o socialmente aceitável e isso faz com que viva as coisas na pele, e custa tanto sofrer nestas alturas, e a felicidade dos outros que nos faz sentir ridículos, como as cartas de amor que se escrevem, ou poemas, ou seja o que for, porque é que esta necessidade de perpetuar sentimentos nos é inerente? Sinceramente devia ser tudo como a música só é música naquele instante, depois acaba, ou como dançar num salão de baile com o chão de madeira a cheirar a verniz, acabadinho de esfregar pelas vassouras de escova, velas que deixam tudo a meia luz, e um lindo vestido que sobressai as formas fossiformes de tanto trabalho de músculos treinados para as valsas, os tangos, o chácháchá. Tudo isto a combinar com um smoking e um cabelo cheio de gel.
E, naquele instante que já era dois minutos à frente, é como num belo conto de fadas, em que nenhuma das personagens parece real e acaba, como a vida se vai acabando todos os dias um bocadinho, se vai apagando a estrada tracejada no meio a branco intermitentemente e temos que dar saltos para continuar a apagá-la, não é irónico?
Queria dizer tantas coisas tolices que afloram à minha mente já tão disléxica de palavras, de frases, de nomes. Sinto-me impaciente. Mas é tarde, já acabou. E nem teve tempo de começar, ser uma história tão bonita, como é que se compensa um amor que não existiu? Com chocolates, caramelos, rebuçados de frutos, crepes de geleia e chantily?

quarta-feira, outubro 05, 2005

Perguntas

Quero pedir-te tanto quanto puder que tenhas paciência
em relação a tudo o que está por resolver no teu coração
e que aprendas a amar as perguntas em si como salas trancadas
ou como livros escritos numa língua estrangeira
não procures as respostas que não te podem ser dadas
porque não serias capaz de as viver
e a questão é viver tudo.
Vive as perguntas agora
talvez então gradualmente
sem dares por iso
ao longo de um dia distante
vivas a reposta.


Rilke
Às vezes há tantas perguntas que surgem em mim.... e nas vezes que restam continuam a surgir em mim mais perguntas! O que fazer? Tentar ouvir o que me diz o coração e ir para onde ele me levar!

segunda-feira, outubro 03, 2005

flores





É tão bom ver uma planta que nós plantámos crescer, ganhar flores e ficar bonita! Apenas com um pouco de terra, sol e água... e com o passar do tempo está cada vez mais cheia de vida! A natureza é de facto fantástica, e hoje apercebi-me do quão poucas árvores vejo no dia a dia! E que falta isso faz!
como disse Martin Luther King:
"se eu soubesse que o mundo terminaria amanhã, hoje ainda plantaria uma árvore"

E tu? Já plantaste uma árvore?

domingo, outubro 02, 2005

Dias de descanso




Ontem estivemos no Meco.
E a sensação que permanece é que a natureza nos transmite a energia necessária para continuarnos mais uma semana... ficar um bocadinho na rede a ouvir o som do mar a quebrar, de vez em quando uma criança a rir ou simplesmente o vento a passar entre os pinheiros. Fui sentar-me naquele lugar fantástico onde a janica o tiago o tó eu o ricardo e a minha mãe vimos o pôr do sol. E era só olhar para aquela imensidão de azul, um pouco de branco e sentir o vento nos cabelos e um sol ainda quente no primeiro dia de Outubro! E parece que talvez estejamos mais perto de nós mesmos. E conseguimos pôr ideias em ordem, objectivos, aquilo que vamos fazer nesta imensa oportunidade que é a Vida!
Enfim...quem já lá esteve sabe a que me refiro, quem nunca esteve, aqui fica o convite! Porque faz bem à alma!
Bom Domingo! O dia que nos dá a oportunidade para fazer aquilo que não conseguimos fazer no sábado!

um sorriso