três anos em forma de diário.
Sei que há sentimentos que são muito difíceis de expressar, a morte da minha filha é um deles. Quando um bébé cresce, e a partir de certa altura na gestação pensamos que vai correr tudo bem até ao final e nem sempre é assim. Ela viveu comigo durante sete meses, como o Gabriel, acompanhou-me na minha primeira exposição, ao casamento de grandes amigos, e foi para ela que fiz o painel que está no quarto do gabriel. Tínhamos a vida preparada para a sua vinda. Tínhamos o coração cheio. E, num dia tudo se alterou e foi tão difícil lidar com a perda, com a morte, com a falta de colo,com o leite que o meu corpo continuou a produzir. Quando fui para o hospital de novo, com o Gabriel e vi que também ele podia estar em risco e era tão pequenino nem sei bem como aguentei.Mas, na verdade, ele passou esses primeiros 35 dias no hospital, dentro daquela "caixa estufa" e ficou bom.eu, demorei mais tempo a recuperar das emoções todas.
Agora, é um menino que nos enche o coração tal como a menina o faria se cá estivesse.
Aprendi, com tempo, a aceitar tudo isto e a apaziguar o meu coração. Vivo agora cada dia.Na certeza de que nada é eterno ( pelo menos aqui na terra) e portanto vou aprender a ser até que um dia também o meu coração se canse de tanto bater.